quinta-feira, 13 de abril de 2017

Jesus, um desordeiro condenado à morte de cruz

Geralmente a ideia que se tem sobre a paixão e a morte de Jesus é à luz da fé, pelo menos é essa que está impregnada fortemente no imaginário popular e alimentada por um discurso religioso bastante eloquente e vigoroso. Reconhece-se a importância dessa visão, mas uma reserva a ela se faz necessária. Isso porque se evita compreender o processo condenatório de Jesus de maneira romântica, prescindindo de aspectos históricos importantes. Por isso, sua condenação à morte deve ser entendida como consequência do projeto de vida que assumiu, do sonho que tinha para com a humanidade.

A imagem pode conter: nuvem, céu e atividades ao ar livre

Equivocadamente, muitos pensam que os evangelhos canônicos ( Mateus, Marcos, Lucas e João) traçam uma biografia de Jesus, fazem um histórico sobre sua vida. Ledo engano! É certo que as reflexões ali feitas repousam sobre um fato histórico, Jesus de Nazaré. Mas a sua vida e as suas atividades são interpretadas de acordo com a perspectiva da comunidade e do autor que escreveu cada evangelho. Na cruz, por exemplo, o Jesus de Marcos está à beira do desespero, se sentindo deixado para trás por Deus (Mc 15,34); o de Lucas mostra-se sereno, confiante e entrega-se ao Pai (Lc 23,46). Os evangelhos, portanto, é uma interpretação acerca de Jesus. O teólogo Leonardo Boff vai além ao afirmar que “os evangelhos transformaram a tradição de Jesus em religião”.
Apesar disso, nas entrelinhas dos relatos, pode-se inferir no que consistiu a pregação do Mestre. Apresentou-se na linha dos profetas apocalípticos, que viam o fim próximo do mundo com a intervenção misericordiosa de Deus. Por isso, a necessidade urgente de acreditar no que dizia e uma mudança de comportamento por parte de quem o escutava: “Cumpriu-se o prazo e está próximo o reinado de Deus: arrependei-vos e crede na boa notícia” ( Mc 1,15). Dessa forma, o sonho de Jesus era anunciar o reinado de Deus, que tinha começado com ele.
Suas atividades já demonstravam essa nova ordem das coisas. Interpretava as Escrituras (1º. Testamento) como meio de salvar a vida, por isso não temia se essa interpretação pudesse contrariar o legalismo bíblico feitos pelos teólogos da época. Questionado a respeito, respondia: “O que é permitido no sábado? Fazer o bem ou o mal? Salvar a vida ou matar? (Mc 3,4). Dessa forma, Jesus minava fundamentos do Judaísmo oficial e criava inimigos poderosos.
As ideias liberais do Nazareno atraíram muitos seguidores, sobretudo pessoas pobres, marginalizadas e condenadas pela religião dominante. Além disso, seu comportamento liberal contrariava os padrões morais e religiosos da época. Deixava-se tocar por pecadores, conversava com samaritanos e criticava o acúmulo de riqueza, além de fazer duras críticas aos líderes religiosos.
Como consequência disso, a classe dominante determinou dar fim nele. Marcos faz referência a esse fato quando diz que “os fariseus saíram imediatamente e deliberaram com os herodianos como acabar com ele” (Mc 3,6). Aqui, percebe-se que Jesus foi vítima de um complô arquitetado por forças religiosa e política, que culminou na condenação à morte de cruz.

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A morte de cruz ou crucificação era uma pena de morte aplicada pelos romanos a escravos , a criminosos e a desordeiros, tumultuadores da ordem estabelecida. Era uma pena tão infame, que os criminosos romanos não eram submetidos a ela. Jesus, portanto, foi condenado como um criminoso , um desordeiro considerado rei dos judeus. Dessa forma, enfatizar esse aspecto histórico da vida do filho de Maria é de capital importância para entender a revolução que sua pregação do reinado de Deus provocou na sua sociedade.
Ubiraci Moraes é licenciado em Letras, pós-graduado em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura e licenciando em Pedagogia.

domingo, 2 de abril de 2017

Morre o babalorixá Raimundo de Oxum, um dos maiores líderes religiosos da Bahia



Conhecido pelo temperamento forte e exigente quando a questão era o culto aos Orixás, mas como um verdadeiro pai espiritual a qualquer um que o procurasse necessitando de ajuda, seu Raimundo (como respeitosamente o chamava) nos deixou ontem e retornou à Casa de Olorum.





Sua fama de pai zeloso  dos Orixás é conhecida de longe e por todos candomblecistas da Bahia. Isso porque se dedicava com muito amor à religião de matriz africana. O Candomblé, para ele, era sua vida. Tinha um respeito reverencial por essa tradição religiosa. Tive a honra de ser testemunha ocular disso. Certamente, é uma das maiores lideranças religiosas da Bahia. É uma perda irreparável.
Que Oxum, sua mãe, o guie nessa travessia rumo à Casa de Olorum. Descanse em paz, seu Raimundo.










quinta-feira, 30 de março de 2017

Vacina contra febre amarela estará disponível a partir dessa quinta; confira locais e indicações


Vacina contra febre amarela estará disponível a partir dessa quinta; confira locais e indicações
Foto: Divulgação / Sesab
A população soteropolitana poderá se vacinar contra febre amarela a partir desta quinta (30). De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), são 19 unidades de referências distribuídas pelo município. A distribuição para todos os cidadãos dentro do público-alvo da vacina foi liberada pela Secretaria após a confirmação de três casos de febre amarela em macacos na Vila Laura, em Paripe e no Itaigara. No Distrito Sanitário de Brotas, todas as unidades estarão realizando a imunização "para garantir a cobertura vacinal da área onde foi registrado o primeiro caso positivo em macacos", que foi encontrado na Vila Laura. O shopping Vila Laura Tropical e a Paróquia Jesus de Nazaré também irão vacinar a população entre essa quinta (30) e sexta (1º). Cera de 400 mil doses do imunobiológico foram distribuídas pelos postos. A vacina tem eficácia de 95% e tem esquema de vacinação com duas doses, tanto para adultos quanto para crianças. "As crianças devem receber as vacinas aos nove meses e aos quatro anos de idade. Assim, a proteção está garantida para o resto da vida. Para as pessoas que não tomaram a vacina na infância, a orientação é tomar uma dose da vacina e outra de reforço, dez anos depois da primeira", disse a SMS em nota. A vacina é contraindicada para crianças menores de seis meses, idosos acima dos 60 anos, gestantes, mulheres que amamentam crianças de até seis meses, pacientes em tratamento de câncer e pessoas imunodeprimidas. A lista completa de postos de vacinação contra febre amarela está disponível aqui.

BAHIANOTÍCIAS

terça-feira, 28 de março de 2017

Em assembleia, agentes de saúde constroem pauta da Campanha Salarial de 2017


Os agentes de saúde de Salvador fizeram assembleia na tarde de hoje (28). Os trabalhadores atenderam à convocação da Associação dos Agentes Comunitários e de Endemias de Salvador (Aaces) para construírem a pauta de reivindicações da Campanha Salarial de 2017. Após as discussões , foram deliberados os seguintes pontos que constarão da pauta:

1) O cumprimento do plano de cargos dos agentes, com o vencimento inicial de R$1.014,00, e R$1.069,00, que correspondem ao nível 3 atual dos agentes;

2) Aumento do auxílio alimentação para R$25,00;

3) Cumprimento dos acordos dos anos anteriores, como o aumento da Gratificação de Incentivo à Qualidade (GIC) de 40% para 50%; e

4) Renegociação dos valores cobrados pela HapVida.

"A participação dos agentes na construção da pauta foi de capital importância, porque só reafirma o compromisso da Aaces com os interesses dos servidores", afirmou uma agente de saúde.









ODEBRECHT AVISA QUE ACM NETO ESTÁ EM DELAÇÃO DA EMPREITEIRA

quinta-feira, 23 de março de 2017

Gays na Fé: Igreja Contemporânea realizada primeiro culto em Salvador

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No próximo dia 25, às 19h30min, na Associação de Funcionários Públicos do Estado da Bahia, localizada na Rua Carlos Gomes, 85, será realizado o primeiro culto da Igreja Contemporânea em Salvador. O culto será presidido pelos pastores Marcos Gladstone e Fábio Inácio e tem como objetivo celebrar o "Culto da Gratidão - Um ano da Intenção Bahia".


Essa igreja evangélica prega o amor incondicional de Deus a todos e sem preconceito. Nela, a comunidade LGBT sente-se à vontade e livre para cultuar o Deus de amor pregado por Jesus. A instituição já conta com cerca de 3 mil fiéis em 9 sedes espalhadas no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais. Espera-se que do fruto plantado por essa celebração nasça uma sede em Salvador.

Entenda o que a lei da terceirização vai mudar na sua vida

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 - A lei da terceirização aprovada nesta quarta-feira pela Câmara dos Deputados muda a forma como se trata a contratação de trabalhadores por empresas terceirizadas. O projeto de lei flexibiliza a terceirização — quando uma empresa contrata trabalhadores por intermédio de uma terceira companhia — e regulamenta a prestação de serviços temporários. O texto-base foi aprovado por 231 votos favoráveis e 188 contrários. Agora, seguirá para sanção presidencial.

Confira a seguir perguntas e respostas para entender o que muda na terceirização.

O que é o projeto de lei de terceirização aprovado?
A proposta flexibiliza a terceirização e regulamenta a prestação de serviços temporários. Ela amplia a possibilidade de oferta desses serviços tanto para atividades-meio (que incluem funções como limpeza, vigilância, manutenção e contabilidade), quanto para atividades-fim (que inclui as atividades essenciais e específicas para o ramo de exploração de uma determinada empresa). Hoje, a terceirização só é permitida para atividades-meio.

O que a lei permite?
A lei permite que todas as atividades que podem ser terceirizadas dentro de uma empresa, incluindo as atividades consideradas essenciais. Com isso, abre a possibilidade irrestrita para a contratação de terceirizados. Numa escola, por exemplo, os professores poderão ser contratados de forma terceirizada. Em um hospital, médicos e enfermeiros também poderão ser terceirizados. Até agora, as contratações eram limitadas a atividades como limpeza e segurança, que são consideradas atividades-meio.

O que a lei não permite?
A lei não altera direitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como férias, décimo terceiro salário e hora extra. Além disso, o projeto de lei aprovado também impede que seja firmado um contrato de terceirização nos casos de existência de vínculo empregatício.

O que muda para o trabalho temporário?
Hoje, o trabalho temporário é permitido para períodos de até três meses. O projeto de lei aprovado amplia esse prazo para seis meses, prorrogáveis por mais 90 dias. Isso significa que os contratos terão prazo máximo de nove meses.

De quem é a responsabilidade sobre os direitos trabalhistas?
O projeto aprovado cria a responsabilidade subsidiária. No caso de não pagamento dos direitos trabalhistas, o trabalhador aciona na Justiça primeiro a empresa prestadora de serviço. Só se ela não comparecer é que o trabalhador pode acionar a companhia contratante. Um segundo projeto, atualmente no Senado, prevê a responsabilidade solidária, ou seja, compartilhada entre as prestadoras de serviços e as contratantes. Neste caso, cabe ao trabalhador escolher a quem acionar judicialmente.

A ampliação das atividades que podem ser terceirizadas vai trazer precariedade para o mercado de trabalho?
Especialistas estão divididos sobre o assunto. Alguns argumentam que a dicotomia entre atividade-fim e atividade-meio não se sustenta e que não há clareza sobre como classificar as atividades. Outros reconhecem o papel da terceirização, mas destacam que há riscos de que as relações entre empregados e empregadores fiquem mais frouxas e o trabalhador não tenha ganhos.

A aprovação da terceirização vai ajudar a criar empregos?
Antes da aprovação do projeto, no início da semana, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a lei seria positiva para o país na expansão de empregos. Para ele, as empresas têm resistido a contratar por causa da rigidez das leis trabalhistas. “Acredito que ajuda muito porque facilita a contratação da mão de obra temporária. Facilita a expansão dos empregos. Hoje muitas vezes a empresa resiste à hipótese de aumentar o emprego justamente por alguns aspectos de rigidez das leis trabalhistas. É importante para fazer com que funções temporárias ou em caráter não permanentes sejam viabilizadas”, disse o ministro. Há quem acredite, no entanto, que a permissão irrestrita para a terceirização não vai mudar o ânimo do mercado.

Podem ocorrer novas mudanças na legislação trabalhista?
Sim. Há um segundo projeto que trata de terceirização no Congresso, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 2014, e estabelece mais regras. Há negociações para que este segundo texto também siga adiante. A ideia do governo é juntar as duas propostas para regulamentar o processo de terceirização, numa espécie de mix.
Este texto prevê a obrigatoriedade para que empresas contratantes retenham na fonte impostos e contribuições de todos os profissionais prestadores de serviço. A legislação atual determina a retenção na fonte somente nos contratos de cessão de mão de obra, como atividades de cessão de mão obra, como atividades de vigilância, limpeza e informática. Aprovado pelo Senado, o texto também seguirá para sanção.



Jornal Extra (adaptação)

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